Preparação Física


Resumo

Para uma prática avançada do Mergulho Livre é indispensável ter uma preparação física específica que prepare o mergulhador para superar os seus limites.

Propulsão e Hidrodinâmica


Resumo

A realização correcta das técnicas de propulsão e a adopção de posturas hidrodinâmicas são essenciais para aumentar a profundidade durante a prática do Mergulho Livre.

O objectivo principal destas técnicas é permitir a máxima deslocação no meio líquido com o mínimo consumo de energia por unidade de tempo, respeitando os princípios gerais da hidrodinâmica.

Respiração e Relaxamento


Resumo

As técnicas de respiração e de relaxamento são essenciais para aumentar a duração da apneia durante a prática do Mergulho Livre.

Além de saber utilizar estas técnicas, o mergulhador deve ter conhecimento sobre a fisiologia e bioquímica associada à respiração, em especial perceber como é produzida e armazenada a energia no nosso organismo.

Imersão e Compensação


Resumo

Imersão e compensação são as técnicas básicas necessárias para iniciar a prática do Mergulho Livre.

Além destas técnicas, o mergulhador deve ter conhecimento sobre a fisiologia do mergulho, em especial perceber como funciona o reflexo de imersão.

Prevenção e Segurança


Resumo

A segurança de uma atividade é definida por um conjunto de práticas que favorecem a sua realização com o mínimo de risco possível, com os seguintes objetivos:
  • Prevenir situações de risco
  • Saber atuar em caso de emergência
No caso do Mergulho Livre será necessário:
  1. Conhecer fatores de risco associados à sua prática.
  2. Respeitar medidas de prevenção de forma a evitar riscos desnecessários.
  3. Utilizar sistemas de segurança durante a realização dos mergulhos.
  4. Saber aplicar procedimentos de salvamento caso seja necessário.

Projecto Experimental: "Apneia360"


Apneia360 é um projecto experimental que consiste num estudo científico sobre a apneia e que tem como finalidade compreender quais os factores que podem ou não afectar de forma significativa a sua performance.

Após 8 semanas de estudo, João Costa obteve resultados que desafiam o senso comum e que estão agora disponíveis para consulta no blog dedicado ao mesmo.

Uma vertente interessante deste projecto é a possibilidade de qualquer pessoa puder participar no estudo como voluntário e ficar também a compreender melhor como funciona o seu próprio organismo em relação à apneia.

Para mais informações consulte: http://apneia360.blogspot.com

Entrevista com Annelie Pompe

"Observa a tua mente. É geralmente a mente que te impede de mergulhar mais fundo."



Em menos de um ano Annelie Pompe mergulhou fundo e escalou alto, tornando-se na primeira recordista mundial de Mergulho Livre a escalar o monte Evereste.

O seu projecto designa-se por "Deep Everest" e o seu objectivo é ir o mais fundo e alto possível, sem garrafas de oxigénio.

Mas porquê desafiar o corpo e a mente a condições e ambientes tão extremos?

Nas suas palavras:

"É o desafio, a liberdade, o prazer, a introspecção, tudo ao mesmo tempo. Estou sempre à procura de novos caminhos para desafiar-me a mim própria, às minhas capacidades e limites, e o mergulho livre proporciona-me oportunidades sem fim."
Para Annelie Pompe, puxar pelos limites é apenas a sua maneira de viver profundamente a vida e experimentar a natureza mais perto.

No entanto aponta que a maior aventura de todas não é nem o cume, nem a profundidade, mas sim dentro de si mesma.


Entrevista:


João Costa: Em Maio passado, tornaste-te na primeira recordista mundial de Mergulho Livre a escalar o Monte Evereste. O que isso significou para ti, teres mergulhado tão fundo e depois subido tão alto?

Annelie Pompe: Realmente não significa mais do que isso, que tenho um recorde mundial em Mergulho Livre e que também subi o Monte Evereste. São aventuras muito separadas, mesmo que até sejam semelhantes em muitos aspectos; a característica mais importante é que eles foram dois dos meus maiores sonhos... mas devo dizer que o Evereste significou mais para mim. A montanha estava na minha mente e coração à 20 anos e é muito mais dura e difícil que mergulhar em apneia.

JC: Existe alguma relação entre o fundo do mar e o topo de uma montanha?

AP: (risos) Bem, o nível de oxigénio é relativamente baixo em ambos os lugares. Além disso, estás totalmente sozinho(a) e tens basicamente a tua vida nas tuas próprias mãos. Eu sinto-me muito viva num lugar onde quase nada pode viver. E as vistas são lindas em ambos os lugares!

JC: Estás agora no Campeonato do Mundo de Profundidade. Quão difícil é voltar a competir depois de uma aventura tão extrema?

AP: O meu corpo ainda está abalado com o Everest. Os dias em que fiquei a mais de 5000m de altitude deram cabo do meu corpo, dos músculos, do coração e do meu sistema imunológico. Eu ainda não recuperei totalmente. Sou muito optimista, mas desta vez não ajudou. Em relação às profundidades que pretendo atingir, preciso de recuperar e estar em muito melhor forma.

JC: Porquê mergulhar mais fundo, o que te atrai no "Big Blue"?

AP: Existem dois apelos. Um deles é apenas o meu amor pelo mar, e querer mergulhar mais fundo significa que eu posso passar mais tempo no mar (em treino, observando os peixes, etc) e a outra é que eu gosto do desafio físico e mental de ver o que posso fazer com o meu corpo e mente.

JC: Como te preparas para tais profundidades, como sintonizas o teu corpo e mente?

AP: Eu analiso o que o meu corpo precisa ser capaz de fazer, e então treino tanto quanto possível. Eu costumo misturar treinos de alongamentos e cardio com exercícios especializados, apneia, yoga e, claro, mergulho livre. Eu também acho que é importante fazer pausas dos treinos específicos, fazendo coisas completamente diferentes, como escalada, ténis, esqui, BTT de montanha – de forma a dar ao meu corpo e mente uma pausa. Quanto à sintonia da mente eu pratico meditação desde à 5 anos atrás e tenho um especialista a ajudar-me com as técnicas de visualização.

JC: Quais são os desafios físicos e mentais que enfrentas ao mergulhar tão fundo?

AP: Fisicamente o mais importante são os pulmões, evitar os baurotraumas pulmonares que penso puderem ser evitados fazendo alongamentos torácicos e mergulhos em FRC. Mentalmente é tentar eliminar o facto de ser realmente assustador mergulhar tão fundo apenas numa única inspiração!

JC: Que princípios deve seguir quem quer aumentar a sua profundidade?

AP: Observe a tua mente. É geralmente a mente que te impede de mergulhar mais fundo. Não basta que treines só o corpo e técnicas de equalização. Não tenhas medo de dar passos grandes, 5m de cada vez.

JC: Quais são os factores limitantes do mergulho profundo?

AP: Pulmões, equalização e factores mentais. Vê qual deles está a limitar-te e trabalha-o. Eles podem mudar muitas vezes por isso deves estar atento a estes factores.

JC: És também instrutora de Mergulho Livre, podes dizer-nos o que esperar num dos teus cursos?

AP: Dependendo do nível do estudante, eu faço por este receber um novo encontro consigo mesmo(a) e não apenas aprender algumas dicas no mergulho em apneia, e também perceber que a sua mentalidade e atitude pode fazer uma grande diferença. Eu coloco mais ênfase na parte mental do mergulho livre. Podem esperar mergulhar mais fundo do que antes!

JC: Algum plano para o futuro, como quebrar o recorde de "No Limits"?

AP: Sim, eu gostaria de tentar. Mas eu também amo as montanhas e adoraria voltar a uma maior altitude novamente. Eu vou levar uma expedição de raparigas para Kilimanjaro este fim de ano e tenho de ir a alguns dos "sete cumes". Outro objectivo no futuro próximo é fazer mergulho livre com as baleias-de-bossa!

JC: Existe alguma mensagem que gostarias de deixar para aqueles(as) que compartilham esta conexão com o Oceano?

AP: Tem a tua mente alerta e faz o possível para dar algo de volta ao mar!


Entrevista com William Trubridge

"Ao mergulhar mais fundo... redefinimos os nossos limites"


Foto: Igor Liberti

Dean's Blue Hole, Bahamas, 16 de Dezembro de 2010. William Trubridge torna-se o primeiro a mergulhar abaixo dos 100m de profundidade na disciplina de "Peso Constante sem barbatanas".

Numa única inspiração, Trubridge mergulha até aos 101m de profundidade e regressa à superfície após 4 minutos e 8 segundos, utilizando apenas os seus braços e pernas para deslocar-se, sem barbatanas ou lastros. Para William, esta é a disciplina mais pura do Mergulho Livre.

Esta aventura foi chamada de Projecto Hector, como referência ao hectometro (a unidade métrica igual a 100 metros) e também como forma de chamar a atenção dos golfinhos Hector (Cephalorhynchus hectori), que é uma espécie endémica da Nova Zelândia em vias de extinção.

Apenas há alguns anos atrás, seria absurdo pensar que o ser humano fosse capaz de mergulhar em apneia aos 100m de profundidade e regressar à superfície pelos seus próprios meios, mas parece que Trubridge está a redefinir os limites pelos quais o nosso corpo e mente são capazes de operar em condições tão extremas.

Brevemente será lançado o documentário "Breathe", focado no seu treino e preparação para esta tentativa de recorde do mundo.

Entrevista:

João Costa: No final de 2010, foste o primeiro homem a mergulhar abaixo dos 100m de profundidade, na disciplina de mergulho livre “Peso constante sem barbatanas”. O que é que isso significou para ti e como relembras esses momentos?

William Trubridge: Há cinco anos atrás o recorde do mundo estava nos 80m de profundidade, e mesmo isso era já um recorde monumental que muitas pessoas acreditavam estar no limite do possível, e que se manteve imbatível por dois anos. O conceito de um mergulho sem assistência aos 100m de profundidade era apenas uma hipérbole ou mito. Então, quando alcancei o que tinha previsto como meu objectivo de carreira, os 92m de profundidade (300 feet) em Abril do ano passado, senti que essa profundidade não era o limite. Repentinamente, a marca dos pomposos três dígitos começou a perseguir e tentar-me incessantemente… quando finalmente atingi essa profundidade, após um período de muitos desafios, foi um enorme alívio e uma honra por ter realizado um bom desempenho na história do nosso desporto.

JC: Porquê mergulhar mais fundo, qual o apelo pelo “Big Blue”?

WT: Faço-o principalmente pelo sentido de exploração e desafio. Ao mergulhar mais fundo, do que o corpo humano alguma vez foi, redefinimos os nossos limites como espécie e é excitante estar nessa fronteira. Sou também o tipo de pessoa que necessita ser desafiada, quer física quer mentalmente, e o mergulho livre é um desporto que preenche ambas. Além destas duas respostas, a sensação de imersão na água, mergulhando profundamente num local onde sons, luzes e outros estímulos desvanessem é uma experiência de outro mundo em que me sinto abençoado por puder desfrutar.

JC: Como te prepares para tais profundidades, como sintonizas o teu corpo e mente?

WT: Faço imensos exercícios para desenvolver a flexibilidade dos pulmões, tórax e diafragma. Alguns desses são de yoga, outros eu próprio os desenvolvi. Em treino tento desenvolver ao máximo a minha técnica de natação e força, incluindo exercícios de tolerância à hipercapnia e hipoxia. Yoga, técnicas de relaxamento e visualização ajudam-me a entrar no pacífico estado mental necessário ao mergulho profundo.

JC: Quais os desafios físicos e mentais que enfrentas para mergulhar em profundidade?

WT: Os desafios físicos são: pressão (equalizar numa profundidade onde os pulmões têm metade do volume de superfície após uma expiração completa), hipercapnia (extremos níveis de CO2 que te fazem querer ar), narcose (derivada dos altos níveis de dióxido de carbono e nitrogénio na corrente sanguínea), hipoxia (quando o oxigénio rareia no fim do mergulho) e a enorme quantidade de ácido láctico acumulado nos músculos. Os desafios mentais estão maioritariamente associados a gerir estes desafios físicos, a não deixa-los afectar-me negativamente - estar calmo e focado enquanto o corpo está a funcionar nestes limites extremos.

JC: Quais os princípios a seguir para aumentar a profundidade?

WT: Ser sempre conservador na progressão da profundidade. Se sentes-te bem num mergulho a trinta metros não tentes quarenta. Vai aos trinta e um, trinta e dois e proporciona-te um outro mergulho fácil. Desta forma a tua confiança e postura aumentarão em profundidade.

JC: Quais os factores que limitam o ser humano a mergulhar mais fundo?

WT: A pressão, narcose e ácido láctico nos músculos – tudo isso pode tornar-se tolerável com treino intensivo. O oxigénio será sempre o maior factor limitante. Existem mamíferos da mesma dimensão que os humanos que mergulham mais fundo e durante mais tempo, e isto é possível por causa da sua composição corporal  adaptada a guardar mais oxigénio nos músculos e na corrente sanguínea, assim como o trabalho anaeróbico durante o mergulho de forma a conservar oxigénio para o coração e cérebro. Penso que o maior ganho a ser feito no mergulho livre pelo ser humano é treinar estes sistemas para que o nosso organismo possa funcionar de forma semelhante ao dos mamíferos marinhos.

JC: Em breve será lançado um novo filme de Mergulho Livre entitulado “Breathe” (Respirar) onde serás o actor principal. O que esperar dele?

WT: Estou muito entusiasmado com este documentário, pois foi filmado por uma equipa de filmagem americana usando uma câmara de filmar de topo chamada “Red One”. Já vi pequenas partes, mas já confiro que a cinematografia é excepcional. Foca-se essencialmente no meu treino e preparação para o recorde do mundo de 2010 e tem entrevistas com a minha família e elementos chave da minha equipa de mergulho, assim como alguns autóctones das Bahamas que falam sobre a lenda do Blue Hole.

JC: És também instrutor de Mergulho Livre, podes dizer-nos o que esperar dos teus cursos?

WT: Tento incorporar algumas das descobertas que fiz nos meus mergulhos e treinos que não serão provavelmente encontrados nos cursos de outras escolas. Os nossos cursos são bastante orientados à melhoria técnica de forma a desenvolver segurança, diversão e performance.

Ensinamos no Dean’s Blue Hole no Inverno, que é facilmente considerado como o melhor local do mundo para mergulhar e estamos na Europa no Verão para dar estágios de 3 dias em alguns dos melhores locais (do Mar Mediterrâneo).

JC: Quais os teus planos futuros?

WT: Vou competir no Campeonato do Mundo na Grécia este Setembro, onde tenho a esperança de defender o meu título mundiais em "Peso Constante sem barbatanas" e "Imersão Livre", como também talvez desafiar na disciplina de "Peso Constante com barbatanas". Depois regressamos às Bahamas para o nosso Master Class anual e preparação para o Vertical Blue 2012. A longo prazo, quero continuar a explorar o potencial subaquático humano pelo menos durante mais dez anos. O Mergulho Livre parece ser um desporto em que os atletas atingem picos de carreira durante os fins dos seus trintas. Além disso também espero continuar a desenvolver um papel onde posso utilizar a exposição e influência que tenha para realizar uma mudança positiva no ambiente, especialmente nos mares.

JC: Existe alguma mensagem especial que desejes deixar a todos os que partilham esta conexão comum com o Oceano?

WT: Dizem que a natureza tem resposta para tudo – apenas tens que saber para onde olhar. Isto já me foi provado tantas vezes pela grande sabedoria do oceano. Ouve o mar – está sempre a dizer-te algo a cada instante.


Entrevista com Tanya Streeter

"Nós somos feitos para mergulhar em apneia, para não respirar debaixo de água"



Mar das Caraíbas, 17 de Agosto de 2002, Tanya Streeter mergulha até aos 160m de profundidade na ​​disciplina de "No Limit". Uma profundidade a que nenhum ser humano tinha ido antes apenas com uma única inspiração.

Já se passaram quase 10 anos desde então, mas este mergulho é ainda o actual Recorde do Mundo Feminino.

Tanya nasceu em 1973 em Grand Cayman e mergulha desde sua infância, mas foi somente aos 25 anos de idade que descobre seu talento extraordinário para o mergulho livre. Logo depois, começa a estabelecer recordes mundiais, alguns deles absolutos, tendo estabelecido 9 recordes mundiais em todas as disciplinas do mergulho livre, entre 1998 e 2003.

Colaborou com vários fisiologistas especializados, no sentido de entender a ciência por detrás da apneia e esteve também envolvida em vários projectos relacionados com a conservação dos Oceanos.

Além da actividade de mergulho livre de competição, foi também apresentadora de documentários de aventura sobre animais selvagens, tais como, "Freediver", "Dive Galapagos" e "Shark Therapy".

Hoje em dia, Tanya Streeter vive em Austin, Texas com seu marido Peter e sua filha de dois anos, Tilly, mas ainda tem tempo para uma vez por ano dar aulas de mergulho livre aos convidados do resort Amanyara nas ilhas de Turks & Caicos.

Entrevista:

João Costa: Em 2002, estabeleceu um novo recorde do mundo na disciplina de “No Limits”, superando o Recorde do Mundo Masculino. O que é que isso realmente significou para si?

Tanya Streeter: O que realmente significou para mim foi algo apenas pessoal. Não considero que ultrapassei alguém além de mim mesma ao atingir esse recorde. Foi uma jornada dura e o mergulho final foi o maior desafio mental com que deparei-me no desporto, por isso ainda levou muito tempo para pensar no mergulho que fiz como sendo o melhor de todos, apenas fiquei feliz por ser melhor do que aquilo que julgava ser!

JC: Quais são esses desafios mentais que um mergulhador deve enfrentar para mergulhar mais fundo?

TS: Os desafios não são únicos para o desporto Mergulho Livre, serão os mesmos ao enfrentar qualquer outro desafio em qualquer outro ambiente, mas provavelmente os desafios mentais são específicos ao indivíduo. Para mim, o receio não era mergulhar mais fundo mas sim falhar na minha missão e desapontar todos aqueles que me apoiaram ao longo do caminho. Também sou intrinsecamente tímida, por isso também tive medo do sucesso, porque significava muita exposição mediática. Acima de tudo, tinha medo do julgamento que faria de mim própria.

JC: O que é que mais recorda desses momentos e o que sente sobre isso actualmente?

TS: Agora consigo entender melhor a magnitude desse feito um pouco melhor, ter ultrapassado os homens e ter mergulhado tão fundo. As minhas memórias já estão um pouco enevoadas, provavelmente porque estou muito focada na minha vida actual, mal tenho energia e tempo para pensar em memórias! Mas, terei muito orgulho em partilhar essas realizações com a minha filha (e futuros filhos!) quando tiver(em) a idade suficiente para o entender, mas mantendo sempre em perspectiva. Foi algo fantástico de se fazer, mas não significa que encontrei a cura para o cancro ou algo semelhante. Não foi nada de tão especial assim.

JC: Porquê que quis mergulhar tão fundo? Qual foi o apelo para pelo “Big Blue”?

TS: O apelo foi sempre conhecer-me cada vez mais um pouco melhor. O mar foi o meu jardim-de-infância em criança e a minha arena em adulta. Penso que estava no meu destino viver uma vida de aventuras e sinto-me enormemente abençoada por ter tido as minhas aventuras no mar.

JC: Como se preparava para tais profundidades, como afinava o corpo e a mente?

TS: Com muito treino, a maior parte do qual foi muito, muito simples. Treino cardiovascular para coração e pulmões, treino de alongamentos para os vários músculos envolvidos (dependendo da disciplina para a qual estava a competir), treino de apneia estática, porque a detestava, e treinos de mergulho específicos.

JC: Esse método parece bastante linear, já considerou publicar uma versão detalhada para a comunidade de Mergulho Livre?

TS: Eu publiquei o meu treino num diário online quando realizei os meu recordes em “No Limit” e Peso Variável, mas já foi há tanto tempo que nem sei mais onde encontra-lo. Não me recordo do conteúdo quase uma década depois!

JC: Quais os princípios que devem ser conhecidos para praticar Mergulho Livre adequadamente?

TS: Jamais praticar sozinho(a)! Depois, apenas conhecer-se bem, o teu corpo e a tua mente. Nós somos feitos para mergulhar em apneia, não para respirar debaixo de água. Por isso basta aprender a fisiologia e aplica-la!

JC: Está actualmente envolvida num projecto intitulado “The Big Blue Experience”, pode dizer-nos um pouco mais sobre isso? Algum futuro plano para ensinar Mergulho Livre?

TS: Não, não tenho planos para ensinar. Tenho ido a Amayara nos últimos 4-5 anos por uma semana, mas não é um curso estruturado que ensino, é mais levar pessoas muito bem sucedidas a mergulhar no paraíso. É fantástico! Foi um jornalista que escreveu um artigo sobre as suas experiências lá comigo que intitulou a sessão "The Big Blue Experience".

JC: Para além do mergulho livre propriamente dito, também esteve envolvida em vários projectos ambientais. O que gostaria de dizer sobre a importância da conservação dos Oceanos?

TS: Em primeiro lugar, sempre que faço qualquer trabalho para os media ou para o público em geral, transmito sempre a mensagem de proteção dos nossos oceanos. Eu sou uma apoiante orgulhosa de um grupo de conservação marinha e tubarões chamado "Bite Back". Não só os tubarões são criaturas fascinantes, mas são também um excelente barômetro para a condição dos oceanos, pois eles são os predadores de topo da cadeia alimentar. As baleias são semelhantes a este respeito também. Se começarmos a ver maior sofrimento destes animais, é um sinal vermelho de que estamos indo no sentido errado. E se nossos oceanos estão com uma saúde debilitada, nós seremos diretamente afectados na terra também. O mar dá vida a tudo, por isso temos certamente de protegê-lo. É muito fácil de fazer algumas mudanças no nosso estilo de vida que terão um grande impacto na conservação dos oceanos e nos seres vivos que nele habitam.

JC: Gostaria de deixar alguma mensagem especial a todos(as) aqueles que partilham esta ligação comum com o Oceano?

TS: Protege-o. Se o oceano inspira-te numa jornada de vida, então presta-lhe toda a tua reverência.

JC: Para finalizar, tendo em conta as suas aventuras de mergulho livre, recordes do mundo e documentários, qual o momento mais memorável que recorda?

TS: Enviar um beijo ao oceano a 160m de profundidade é uma de muitas, muitas memórias fantásticas que tenho. Esta memória é muito significativa para mim porque amo o mar por este ter-me proporcionado uma profunda compreensão de mim mesma.


Entrevista com Patrick Musimu

"O Mar guarda a chave para outra dimensão"



A 30 de Junho de 2005 no Mar Vermelho, Patrick Musimu redefiniu os limites humanos com um mergulho aos 209,6m de profundidade na disciplina de "No Limit".

Na altura, um mergulho em apneia abaixo dos 200m de profundidade era impensável, inclusivé a maioria da comunidade de mergulho livre estava muito céptica em relação a um mergulho desta magnitude, pois isso representaria um avanço de mais de 30m de profundidade em relação ao recorde anterior, algo sem precedentes.

Musimu não quis homologar a sua performance junto de nenhuma federação, mas acabou por provar que era possível mergulhar para além daquela profundidade contrariando os conceitos e dogmas existentes. (ver video)

Aliás, para Patrick a disciplina de "No Limit" não é nem deveria fazer parte de uma actividade desportiva, mas sim parte de uma aventura na exploração do potencial humano.

Por isso Patrick Musimu está envolvido num novo projecto designado por "No Limit Triple Quest", no qual procura explorar novas profundidades em três vertentes do "No Limit": Tandem, Tradicional e Absoluto.

Neste momento, está no Egipto em Hurgada numa sessão de treinos que visam a preparação para um novo mergulho na disciplina de "No Limits" Absoluto para além dos 200m de profundidade.

Entrevista:

João Costa: O que significou mergulhar a mais de 200m de profundidade em 2005 e como recordas esses momentos?

Patrick Musimu: Significou liberdade! Na verdade, quer queiramos ou não, fazemos parte de um sistema que gosta de induzir o nosso comportamento e comandar os nossos modos de pensar. O meu mergulho lembra-nos que ainda existe a chamada liberdade de escolha. A minha acção teve o mérito de referenciar e recordar a todos a capacidade de moldar os nossos sonhos e tornar-los realidade. As barreiras estão na nossa mente. Aceitar limites, sejam nossos ou impostos, é falhar no nosso dever como seres humanos. O destino assim não parece ser uma força maior, é-nos dado para fazer escolhas e ouvir a nossa voz interior.

Se tivesse que resumir tudo o que me foi dado a ver, tocar e sentir, diria: “Lá em baixo encontrei um lago e voltei a respirar.

JC: Porquê mergulhar ainda mais fundo, qual o apelo pela “vertigem azul”?

PM: Não sei explicar-te o porquê. Apenas necessito disso. O mergulho profundo tem a ver com reposicionar-me. Lá em baixo entro numa nova dimensão e toco o sétimo céu quando “deixo de existir”, como se cada célula do meu corpo fosse uma entidade por si só.

JC: Então o Mergulho Livre é mais do que um exercício do corpo e da mente?

PM: O Mergulho Livre profundo é uma forma de yoga. Qualquer actividade praticada com assiduidade e perseverança pode levar-te a níveis superiores de Consciência, assim como a pintura, as artes marciais, etc… só o “No Limits” permite-me focar mais na mente do que no corpo.

JC: Como te preparas para tais profundidades, como sintonizas o corpo e a mente?

PM: Pratico sessões de meditação entre 20-40 minutos todos os dias. Pratico actividades aeróbicas por 20 minutos (2 ou 3 vezes por semana) com batimentos máximos de 120bpm, mais 2 sessões por dia para flexibilidade da coluna e estimulação muscular (sem reforço!)

JC: Isso parece um treino geral para qualquer desporto, existem algumas técnicas específicas?

PM: O segredo está todo nos detalhes. Eu fiz recordes mundiais em todas as disciplinas de profundidade. Mesmo quando fiz o recorde em Peso Constante o meu treino de rotina foi treinar duas vezes no ginásio. Tem tudo a ver com eficiência, mas para obter estes resultados tens de compreender bem a essência do que estás a fazer.

JC: Por falar em essência, quais os princípios do Mergulho Livre que se devem aprender?

PM: Aprender a ter paciência e estar pronto para “olhar-se ao espelho”. Mergulho Livre não é o sobre a profundidade que vais ou quanto tempo susténs a respiração. Em minha opinião, tornaste um mergulhador livre no dia que te aperceberes que não tens de pensar que precisas de suster a reapiração enquanto mergulhas.

JC: Como se o tempo não existisse?

PM: Torna-se apenas um processo natural em ti.

JC: Sentes que há um limite, ou melhor, quais são actualmente os factores limitantes para mergulhar profundamente?

PM: Em cada passo dado pelo Homem, existe um limite e cada limite que enfrente vai tentar ultrapassa-lo. Qualquer espécie que mergulha vai até uma certa profundidade. Provavelmente o passo crucial para a humanidade será quando o seu sistema nervoso sofrer de permanente anoxia.

JC: A que profundidade isso pode acontecer e que medidas tomas para evitar esse risco?

PM: Ninguém pode prever essa profundidade. Segundo cientistas e especialistas de mergulho, o meu mergulho em 2005 foi considerado impossível. Acredito que serei responsável e atento o suficiente para ouvir o meu corpo antes desse ponto.

JC: No teu livro a editar em breve, escreves na tua autobiografia que “Estamos todos destinados a morrer um dia. Nascemos para morrer melhor”. Podes falar um pouco mais sobre este livro e quando estará disponível?

PM: O livro surgiu em Agosto de 2005 quando comecei a escrever o que vivi, toquei e senti durante o meu mergulho de -209m. A partir daí, tive eu próprio que compreender que desafiei o mundo, a ciência e os hábitos ao ter mergulhado a essa profundidade. Rever a minha vida, o que já passei desde os 10 anos, um pouco também sobre os sistemas que regulam a nossa vida e compõem a sociedade actual. Muito será revelado. Sairá em primeira mão em Itália ainda este ano.

JC: Estás agora envolvido noutro desafio, o "No Limit Triple Quest", podes falar um pouco sobre este projecto e qual é a tua motivação?

PM: O NL TQ é essencialmente explorar as três formas de "No Limits". Cada uma tem a sua própria motivação. O Tradicional está já explicado no meu blog. O Tandem é partilhar sentimentos e emoções com um(a) parceiro(a). O Absoluto é reconectar-me comigo mesmo. Mas, o objectivo mais ambicioso deste Triple Quest é aceitar falar sobre ele. Explicar os altos e baixos e não apresentar-me como um mutante capaz de coisas incríveis.

JC: Tens alguma mensagem especial que queiras deixar a todos(as) que partilham esta ligação comum com o Oceano?

PM: São tantas as pessoas que não têm a oportunidade de partilhar esta ligação. Como dever à Humanidade, partilhar os teus privilégios é o mínimo que podes fazer por quem está em busca de inspiração nas suas vidas.


5 Grandes Pioneiros do Mergulho Livre

Os primeiros a mergulhar abaixo dos 100m de profundidade apenas com um único fôlego 2010-12-21

  • 1976: Jacques Mayol em No Limit

  • 1994: Umberto Pelizzari em Variable Weight

  • 2003: Herbert Nitsch em Free Immersion

  • 2004: Carlos Coste em Constant Weight

  • 2010: William Trubridge em Constant Weight no fins


Nome: Jacques Mayol Disciplina: No Limit (NLT) Profundidade: 101m Data: 1976-11-23 Local: Mar Mediterrâneo, Elba - Itália


Nome: Umberto Pelizzari Disciplina: Variable Weight (VWT) Profundidade: 101m Data: 1994-07-24 Local: Mar Mediterrâneo, Sardenha - Itália




Nome: Herbert Nitsch Disciplina: Free Immersion (FIM) Profundidade: 100m Data: 2003-09-05 Local: Lago Millstätter See, Millstatt - Áustria



Nome: Carlos Coste Disciplina: Constant Weight (CWT) Profundidade: 102m Data: 2004-06-17 Local: Mar Mediterrâneo, Limassol - Chipre



Nome: William Trubridge Disciplina: Constant Weight no fins (CNF) Profundidade: 101m Data: 2010-12-16 Local: Dean's Blue Hole, Long Island - Bahamas




Quando Jacques Mayol mergulhou pela primeira vez aos 101m de profundidade em 1976 na disciplina de "No Limit", foi uma proeza extraordinária, a comunidade científica ficou preplexa. Como é possível o ser humano mergulhar tão fundo?


Agora, passados 34 anos, William Trubridge fez algo que qualquer pessoa acharia impossível somente há um par de anos atrás. Mergulhar à mesma profundidade apenas com a sua força física e sem barbatanas. Sem dúvida um mergulho incrível!


Informação adicional:


Outdoor AIDA: Novo Recorde Nacional

João Costa mergulha aos 41m de profundidade sem barbatanas
2010-09-17

No passado dia 12 de Setembro, em Sesimbra, João Costa conquistou o seu quinto recorde nacional de mergulho livre, desta vez na disciplina de Peso Constante sem barbatanas, com um mergulho aos 41m de profundidade num tempo total de 1m44s.

Passado um mês, após o evento Odissieia-Sub, João Costa confirma mais uma vez que ainda é possível estabelecer recordes nacionais de mergulho livre nas águas frias do continente, algo que não acontecia desde 2002.

Actualmente, é o único português a mergulhar abaixo dos 40m de profundidade em todas as disciplinas de mergulho livre de competição:

Informações adicionais:

Odisseia-Sub: Novo Recorde Nacional

João Costa mergulha aos 52m de profundidade em Imersão Livre
2010-08-20

Entre os dias 1 e 15 de Agosto, realizou-se o Odisseia-Sub em Sesimbra, um evento desportivo de mergulho livre, no qual João Costa tinha como objectivo ser o primeiro português a superar os 50m de profundidade nas três disciplinas de competição.

Resultados obtidos:

* - Recorde Pessoal
** - Recorde Nacional

Informações adicionais:

Odisseia-Sub

O Odisseia-Sub é um evento desportivo de mergulho livre no qual João Costa, actual recordista nacional, tem como objectivo estabelecer novos máximos e ser o primeiro português a superar os 50m de profundidade nas três disciplinas de competição:

Este evento será realizado entre os dias 1 e 15 de Agosto de 2010 em Sesimbra, num dos melhores locais para a prática do mergulho livre em profundidade em Portugal continental, em plena Costa Azul, no Parque Marinho Professor Luiz Saldanha.

Informações adicionais:

7 Maravilhas Naturais de Portugal

Madeira e Porto Santo: duas pérolas no Atlântico

Nas ilhas da Madeira e do Porto Santo existem duas maravilhas candidatas às mais belas de Portugal e sem dúvida que são únicas e especiais.

A Floresta Laurissiva na Madeira

Na categoria de Florestas e Matas, temos a Floresta Laurissiva na Ilha da Madeira com origem à cerca de 20 milhões de anos e que hoje atrai milhares de turistas de todo o mundo para os seus passeios nas famosas levadas.

"As suas árvores centenárias são monumentos que em contacto com todos os outros seres, fazem com que a Laurissiva seja considerada uma Relíquia Viva e detentora de uma grande Biodiversidade comportando espécies exclusivas, constituindo um autêntico Laboratório Vivo."

A Praia Dourada no Porto Santo

Na categoria de Praias e Falésias, temos a Praia da Ilha do Porto Santo resultante da produtividade biológica que ocorreu durante a última glaciação à cerca de 10 mil anos, é um paraíso aqui tão perto para os amantes das praias de areia banhadas por um mar cálido azul turquesa.

"A Praia do Porto Santo [...] é banhada por um mar calmo e de águas cristalinas e estende-se por toda a costa sul em cerca de 9km. A tonalidade das suas areias tornou o Porto Santo também conhecido por Ilha Dourada [...]."

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Os resultados da sondagem revelam que cerca de metade dos utilizadores (45%) visitam este site porque pretendem tirar um curso de mergulho livre.

Este resultado é perfeitamente natural, visto que este site é dedicado à promoção e desenvolvimento do mergulho livre em Portugal, em especial através de um programa de formação exclusivo de cursos de mergulho livre.

Estes resultados também revelam que existe um grupo de utilizadores (cerca de 40%) procuram informação e notícias actualizadas sobre mergulho livre.

Para finalizar, podemos concluir que a maioria dos utilizadores (87%) são utilizadores regulares.

The Cove

Vencedor do Oscar da Academia para melhor documentário


Sinopse

Nos anos 60, Richard O’Barry era a maior autoridade mundial no treino de golfinhos, trabalhando no cenário da popular série de televisão “Flipper”.

Diariamente, O’Barry mantinha os golfinhos a trabalhar e os tele-espectadores a sorrir. Mas um dia, tudo acabou de forma trágica…

Esta é a incrível e verdadeira história de como Richard O’Barry, o realizador Louie Psihoyos e uma equipa de activistas, cineastas e mergulhadores de elite (Mandy-Rae e Kirk Krack) embarcam numa missão secreta para penetrar numa enseada escondida no Japão, trazendo para a luz do dia uma terrível e negra realidade.

E os mistérios que desvendam eram apenas a ponta do iceberg…

Comentários

Sobre o filme

Estava um pouco reticente em ver este filme, pois a ideia de ir ao cinema para ver um documentário sobre um massacre de golfinhos numa longínqua vila pesqueira do Japão não é bem aquilo que se espera numa tarde de entretenimento.

Já tinha visto há uns tempos atrás alguns vídeos no YouTube sobre a forma desumana como os pescadores japoneses matam estes animais e estar a pagar para ver durante mais de uma hora a crueldade desta situação seria certamente insuportável, apenas tolerável claro para alguns sádicos que abundam por aí.

Mas por alguma razão este documentário ganhou um Oscar e dezenas de prémios em outros festivais internacionais, o que me sugeriu que possivelmente haveria mais conteúdo do que apenas imagens sobre a matança.

O público vai ao cinema porque quer entretenimento, não vai para compreender o sofrimento dos outros, quanto menos dos animais, e por isso a forma de ser deste documentário como se de um filme de espionagem se tratasse, envolvendo a audiência na acção e mostrando a hipocrisia com que se tenta esconder a brutalidade humana do outro lado do mundo, numa pequena e aparentemente inocente vila japonesa a sul de Tóquio, chamada Taiji, onde é possível assistir a espectáculos de golfinhos e simultaneamente estar a comer uma sandes de carne deste mesmo mamífero aquático.

Que triste realidade, mas é neste mundo que ainda vivemos.

A frieza destas palavras é só um choque para acordar as mentes mais fúteis, se é que podem ser acordadas. Ficar sem fazer nada de realmente importante nesta vida é continuar miserável. É continuar superficial até à morte e depois definhar sem aprofundar a razão do ser.

O famoso stress da vida moderna não nos dá tempo para pensar e consequentemente agir. A sedutora sociedade de consumo não quer que questionemos o porquê de certas situações. Querem-nos como marionetas do carrossel da eterna insatisfação que nos impede de sair do remoinho dos prazeres que esperamos rápida e repetidamente saciar. Mas para sair deste vício, não basta pensar, é preciso agir com determinação, coragem e confiança.

É essa a mensagem mais importante para mim neste documentário, é a capacidade que nos motiva para a acção, para a tomada de consciência que esta situação nos evidencia, apesar de ocorrer do outro lado do mundo. Os seus impactos reflectem-se aqui mesmo ao virar da esquina, basta estar atento e reflectir um pouco.

Os golfinhos são sem dúvida seres incríveis, com uma inteligência acima da média de alguns dos nossos parentes mortais, sobretudo daqueles que estão no poder a decidir o futuro da humanidade ou da comunidade onde estamos inseridos, gastando fortunas para entrar em contacto com extra-terrestres quando aqui mesmo no nosso mundo submerso temos uma criatura com consciência de si, reconhece-se ao espelho, tem uma vida social activa e utiliza uma linguagem própria e claro possui um fabuloso sonar que consegue por exemplo reconhecer à distância uma mulher grávida debaixo de água.

Não percam este filme, contactem o vosso cinema preferido e mostrem o interesse na sua visualização senão sempre podem comprar o DVD online, pois através deste documentário para além do alerta sobre a situação inaceitável que ainda decorre no Japão e as acções que podem tomar para acabar de uma vez por todas com este massacre anual, irão ficar a conhecer mais sobre esta espécie fantástica, provavelmente uma das mais inteligente deste planeta e ficar deslumbrados com as imagens subaquáticas que nos convidam a mergulhar com estes magníficos animais no seu habitat natural, mostrando a sua real beleza e alegria pela liberdade.

Mergulhar com estes animais apenas com o ar de uma inspiração é sem dúvida uma sensação única. Um reencontro com a nossa profunda e ancestral natureza.

Algumas questões

“A razão principal porque continuamos a mata-los [os golfinhos] é porque eles são uma praga!” e com esta frase justifica um pescador de Taiji, o massacre que acontece durante quase todos os dias entre Setembro e Março de cada ano, numa baía escondida de um parque nacional vedado ao público, com a morte de centenas, senão milhares destes animais.

Será que os golfinhos são mesmo uma praga? Será que os japoneses têm razão? Afinal já existem rumores que pescadores nos Açores também eles já começam a justificar a falta de peixe devidos a estes animais.

Afinal os golfinhos são carnívoros ao contrário das baleias e necessitam de consumir enormes quantidades de peixe diariamente. Como são uma espécie protegida na maioria dos países, o seu número tem vindo a aumentar gradualmente todos os anos.

Por isso deixo aqui algumas questões para reflectir:

  1. Será que os golfinhos não percebem que ao continuar a consumir peixe daquela forma vão dar cabo do ecossistema financeiro das grandes frotas pesqueiras?
  2. Deve o Homem controlar o aumento desta população de cetáceos para que as quotas de peixe se mantenham sustentáveis?
  3. Podemos acabar com este massacre sem o detrimento do conforto em que vivemos as nossas vidas quotidianas?
  4. Qual a diferença entre matar um golfinho ou uma vaca para comer?
  5. Qual o problema de comer carne de golfinho?

Se estiverem interesados em colocar alguma questão ou responder a alguma destas perguntas, por favor enviem-nos um email/sms para o nosso Contacto.

Informações adicionais:

Catástrofe na Ilha da Madeira

Apoio às vítimas da tragédia

No passado dia 20 de Fevereiro, o sul da ilha da Madeira foi devastado por uma série de inundações, após as chuvas intensas que ocorreram durante a noite e parte da manhã.

Os principais bancos portugueses criaram contas de apoio às vítimas, através das quais poderá realizar o seu donativo:

Montepio:

BES:

Banif:

A sua ajuda pode fazer a diferença!

Informações adicionais:

EXPOSUB 2010 - Ciclo de Conferências

João Costa apresenta "Mergulho Livre: Princípios Essenciais"
2010-01-29


Entre os dias 3 e 7 de Fevereiro irá decorrer o evento Sport-Show - Feira do Desporto Activo na FIL (Feira Internacional de Lisboa) no Parque das Nações em Lisboa.

No dia 5 de Fevereiro (Sexta-Feira), pelas 21h30, João Costa irá realizar uma apresentação cujo tema é "Mergulho Livre: Princípios Essenciais", através da qual serão apresentados os príncipios essenciais do mergulho livre necessários para mergulhar com segurança, relaxado e em profundidade.

Esta apresentação realiza-se no âmbito do 4.º Ciclo de Conferências Subaquáticas/EXPOSUB 2010, organizado pela APDM (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento do Mergulho).

Informações adicionais: